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Euribor a 12 meses ultrapassa 3% pela primeira vez em dois anos: o que isto faz à prestação da casa

Depois de uma média de 2,95% em agosto, a Euribor a 12 meses fixou-se acima de 3% em setembro de 2026 — o valor mais alto desde setembro de 2024. Percebe como e quando isso chega à tua prestação, ao crédito novo e aos Certificados de Aforro.

Uma pessoa em casa revê extratos e papéis financeiros numa mesa de cozinha, com luz da manhã a entrar pela janela.

A Europa passou os últimos dois anos a habituar-se à ideia de que o dinheiro tinha voltado a ficar mais barato. Entre 2023 e o início de 2026, o Banco Central Europeu (BCE) baixou sucessivamente as suas taxas diretoras, e a Euribor — a taxa de juro a que os bancos da área do euro emprestam dinheiro entre si, usada como referência em milhões de créditos variáveis — acompanhou essa descida.

Esse ciclo inverteu-se em 2026. O conflito no Médio Oriente empurrou os preços da energia para cima e reacendeu a inflação na área do euro. Em resposta, o BCE subiu as taxas diretoras em junho — a primeira subida desde 2023 — e voltou a fazê-lo a 10 de setembro de 2026, elevando a taxa de facilidade permanente de depósito para 2,50%, a de refinanciamento principal para 2,65% e a de cedência de liquidez para 2,90%, com efeitos a partir de 16 de setembro. No comunicado que acompanhou a decisão, o BCE justificou a subida com o facto de "o conflito no Médio Oriente continua a gerar pressões inflacionistas", esperando-se que "a inflação se mantenha muito acima do objetivo durante um período prolongado" [1].

A Euribor a 12 meses ultrapassou os 3% em agosto de 2026 — o nível mais alto desde setembro de 2024 — depois de fechar esse mês com uma média de 2,954%. Quem tem crédito habitação indexado a este prazo vê a prestação recalculada na próxima revisão anual do contrato, sem qualquer passo intermédio.

Isto é o essencial. O resto do artigo explica os números por trás desta frase — e o que podes fazer com eles.

O que é a Euribor e porque está a subir outra vez

A Euribor (Euro Interbank Offered Rate) é a taxa de juro média a que um painel de bancos da área do euro diz estar disposto a emprestar dinheiro a outros bancos, por diferentes prazos — 1, 3, 6 e 12 meses. Não é fixada pelo BCE, mas segue de perto as suas taxas diretoras, porque é isso que determina o custo do dinheiro entre bancos.

A 21 de agosto de 2026, a Euribor a 12 meses fixou-se em 3,003%, ultrapassando a barreira dos 3% pela primeira vez desde setembro de 2024; no mesmo dia, a Euribor a 6 meses chegou a 2,765% (máximo desde novembro de 2024) e a Euribor a 3 meses a 2,524% (máximo desde março de 2025) [2].

Segundo Nuno Rico, economista da Deco Proteste, a origem imediata desta escalada é geopolítica: "estamos agora a fazer seis meses do início do conflito do Médio Oriente, e desde então a média da Euribor a seis meses já se agravou quase 30%" [3].

Um cliente visto de costas junto ao balcão de uma agência bancária portuguesa, numa tarde comum.

Como isto chega à tua prestação

Num crédito habitação a taxa variável, a prestação não muda todos os meses — muda quando o contrato é revisto, com uma periodicidade que depende do indexante escolhido na altura da escritura. É por isso que a mesma subida da Euribor não chega ao extrato de todos ao mesmo tempo: fechado agosto, a média mensal da Euribor a 12 meses ficou em 2,954%, o valor mais alto do ciclo atual [4].

Indexante Periodicidade de revisão Prestação exemplo*
Euribor a 3 meses Trimestral ≈ 674 €
Euribor a 6 meses Semestral ≈ 691 €
Euribor a 12 meses Anual ≈ 711 €

*Exemplo para um crédito de 150.000 €, prazo de 30 anos, spread de 1%, com juro calculado à Euribor de agosto de 2026 [4].

Quem tem Euribor a 12 meses e vê o contrato revisto agora fica com esse indexante — acima de 3% — fixo durante os doze meses seguintes, mesmo que a Euribor desça entretanto. É o preço da estabilidade que este prazo oferece: menos sobressaltos mês a mês, mas também menos alívio imediato se a taxa cair.

O crédito novo também fica mais caro

Uma Euribor mais alta não afeta só quem já tem crédito: também eleva a taxa de juro efetiva oferecida a quem está a negociar um crédito habitação novo ou uma transferência de crédito, porque o banco soma o seu spread à Euribor do momento. Rita Sogalho, Team Leader de Crédito Habitação da ComparaJá, nota que, ao contrário da Euribor, "o spread é o número que mais influencia o custo total do crédito e, ao contrário da EURIBOR, está aberto a negociação. Quem compara e percebe o seu spread chega à mesa do banco numa posição muito mais forte" [5].

Porque é que os Certificados de Aforro rendem o máximo este mês

Balcão dos correios ao fim da tarde, com a mão de um cliente pousada junto a formulários e uma carteira.

O mesmo movimento de subida explica outra notícia do mês: em setembro de 2026, os Certificados de Aforro Série F — o produto de poupança do Estado português, distribuído pelo IGCP — atingiram a taxa base máxima permitida por lei, 2,5% brutos. A taxa-base destes certificados segue a média da Euribor a 3 meses; em agosto, essa média fixou-se em 2,518%, o suficiente para levar a taxa ao teto legal. Com os prémios de permanência aplicáveis às subscrições mais antigas, o rendimento total pode chegar a 2,75% [6].

Isto é informação educativa, não uma recomendação de investimento: a decisão de subscrever ou resgatar Certificados de Aforro depende do teu horizonte de poupança e da tua situação concreta.

O que fazer agora

Perante uma Euribor acima de 3%, há coisas que qualquer pessoa com crédito habitação pode confirmar sem esperar pela carta do banco:

  1. Confere o indexante e a data da última revisão no teu contrato — determina quando a subida chega à tua prestação.
  2. Simula a nova prestação com o spread que já tens, para não seres apanhado de surpresa no extrato.
  3. Pondera renegociar o spread ou transferir o crédito se encontrares condições melhores — ao contrário da Euribor, o spread é negociável.
  4. Revê o orçamento mensal para absorver o aumento sem recorrer a crédito de curto prazo.

Este último ponto é onde a categoria das aplicações de gestão financeira entra em jogo. Uma app que junta contas, cartões e poupanças num único sítio não muda a Euribor, mas torna visível, com antecedência, quanto uma prestação mais alta vai pesar no mês seguinte — a diferença entre reagir à prestação de surpresa e antecipá-la no orçamento.

É essa a lógica por trás do orçamento mensal em 3 minutos que defendemos no AtivaMoney: juntar despesas fixas como a prestação da casa às restantes categorias, para que uma subida da Euribor apareça no teu plano antes de aparecer no extrato. E porque uma prestação mais alta é também um argumento a favor de teres uma almofada financeira, o fundo de emergência existe precisamente para absorver este tipo de subida sem desequilibrar o resto do orçamento. O AtivaMoney é uma aplicação europeia, privada por definição, que não vende os teus dados — a simulação automática de prestações indexadas à Euribor está a caminho, mas hoje já podes estruturar o teu orçamento para receber o aumento sem sobressaltos.

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Perguntas frequentes

O que é a Euribor a 12 meses e porque afeta a prestação da casa?

É a taxa de juro média a que os bancos da área do euro emprestam entre si por um ano, usada como indexante em créditos habitação a taxa variável. Quando sobe, a prestação de quem tem este indexante aumenta na revisão anual do contrato, somando-se ao spread fixo acordado com o banco.

Com que frequência a minha prestação é revista?

Depende do indexante escrito no contrato: trimestral para Euribor a 3 meses, semestral para Euribor a 6 meses e anual para Euribor a 12 meses. A data exata está na escritura ou no último aviso de revisão enviado pelo banco.

Um crédito habitação novo fica mais caro com a Euribor acima de 3%?

Sim: o banco soma o seu spread à Euribor do momento para calcular a taxa de juro efetiva, pelo que um crédito contratado ou transferido agora parte de uma base mais alta do que há um ano. O spread, ao contrário da Euribor, é negociável.

Vale a pena subscrever Certificados de Aforro com a taxa no máximo?

Os Certificados de Aforro Série F rendem, em setembro de 2026, a taxa base máxima permitida por lei (2,5% brutos), calculada a partir da Euribor a 3 meses. É informação educativa, não uma recomendação — a decisão depende do teu horizonte de poupança e de outras alternativas.

O que posso fazer já se a minha prestação vai subir?

Confirma o indexante, a data de revisão e o spread no teu contrato, simula a nova prestação, ajusta o orçamento mensal para a absorver e pondera negociar o spread ou transferir o crédito se encontrares condições melhores noutro banco.

Referências

  1. BCE — Decisões de política monetária, 10 de setembro de 2026 o conflito no Médio Oriente continua a gerar pressões inflacionistas, e a inflação deverá manter-se muito acima do objetivo durante um período prolongado
  2. Taxa Euribor sobe a três, seis e 12 meses para máximos de mais de ano e meio — Observador A Euribor a 12 meses fixou-se em 3,003%, ultrapassando a barreira dos 3% pela primeira vez desde setembro de 2024
  3. Tem crédito à habitação? Prestação volta a aumentar em setembro — Rádio Comercial estamos agora a fazer seis meses do início do conflito do Médio Oriente, e desde então a média da Euribor a seis meses já se agravou quase 30%
  4. A Euribor a 12 meses chegou a 2,954% e vai reavaliar prestações até setembro do próximo ano — Jornal Económico para um crédito de 150 mil euros, 30 anos de prazo e um spread de 1%, a prestação revista ao indexante de 12 meses passa a rondar os 711 euros mensais
  5. O que é o spread e porque continua a ser o número mais negociável do crédito habitação — Jornal Económico O spread é o número que mais influencia o custo total do crédito e, ao contrário da EURIBOR, está aberto a negociação. Quem compara e percebe o seu spread chega à mesa do banco numa posição muito mais forte.
  6. Certificados de aforro: Juros atingem o teto máximo em setembro — Doutor Finanças A taxa de juro bruta para novas subscrições de Certificados de Aforro, Série F, em setembro de 2026 foi fixada em 2,500%