O que conta como despesa essencial
É o que continuarias a pagar num mês sem rendimento, depois de cortar tudo o que pode esperar:
- renda ou prestação da casa, condomínio e seguros associados;
- alimentação em casa, água, luz, gás, telecomunicações;
- transportes, saúde e educação que não se podem adiar;
- prestações de crédito e seguros obrigatórios.
Restaurantes, férias e subscrições ficam de fora: num aperto, são os primeiros a sair. Se não sabes o número, um mês de extratos somado por grupos chega para uma primeira estimativa.
Quantos meses escolher
A referência mais repetida é de três a seis meses de despesas essenciais. Não vem de um estudo que a tenha calculado: é uma convenção, e o nosso artigo Fundo de emergência: quanto chega? mostra o que a investigação diz sobre ela.
Faz sentido apontar para mais meses quando:
- o rendimento é irregular — trabalho independente, comissões, atividade sazonal;
- há um só rendimento em casa, sobretudo com dependentes;
- encontrar trabalho novo na tua área costuma demorar;
- há despesas de saúde ou de família que se sabe que vão chegar.
Com dois rendimentos estáveis e independentes, o risco de faltarem os dois ao mesmo tempo é menor, e menos meses podem chegar.
Como interpretar o resultado
O objetivo é uma referência, não uma linha de chegada que tem de ser atingida de uma vez. Se o valor em falta parece impossível, olha para o primeiro degrau: um mês de despesas essenciais já evita que um imprevisto pequeno acabe num crédito caro. A estimativa de meses até ao objetivo assume que pões de lado o mesmo valor todos os meses e não conta com juros.
Um fundo de emergência só cumpre a sua função se estiver disponível no dia em que é preciso. Por isso é, por definição, dinheiro separado do que se investe com risco ou a prazo longo.
Para ler a seguir
- Fundo de emergência: quanto chega?
De onde vem a regra dos três a seis meses, o que a investigação diz sobre ela e porque o primeiro degrau é o que mais conta.
- A psicologia do fim do mês
O que a investigação sobre escassez diz sobre as decisões que tomamos quando o dinheiro aperta.
- Como criar um orçamento mensal em 3 minutos
Porque é que a maioria dos orçamentos falha logo na segunda semana, de onde vem a regra 50/30/20 e como montar um que aguente o mês.
Mais contexto no guia Poupar dinheiro: por onde começar.
Outras calculadoras
- Regra 50/30/20
Divide o teu rendimento líquido em necessidades, desejos e poupança, e compara com o que gastas de facto.
- Taxa de esforço
Que parte do teu rendimento já vai para prestações de crédito, ao lado da referência do Banco de Portugal.
- Custo das subscrições
Soma o que pagas por mês, por ano ou por semana e vê o total real, por mês e por ano.